domingo, 30 de outubro de 2005

Encarando a própria realidade

Ultimamente, nas conversas com amigos, profissionais com que convivo no dia a dia, ou até mesmo conhecidos, observo que existe uma certa desilusão coletiva.

É como se de repente todo mundo estivesse insatisfeito consigo mesmo, todos buscando um ideal de perfeição no imaginário coletivo.

As notícias, jornais, revistas são apenas o reflexo deste imaginário continuo, do sonho que temos em sermos uma nação perfeita, um profissional adimirado, um corpo sarado. É o que segue como balisamento psicológico de nossa satisfação.

Entretanto, a realidade é bem diferente. Encarar a realidade é um processo muitas vezes doloroso, e tanto mais dor irá sentir quando a ilusão de ser algo irreal tiver se extendido nas entranhas do próprio ser.

Oras, antigamente eramos todos "condenados" pelo nome de família, pelo extrato social de nascimento, pelo país que havíamos nascido. Hoje a mobilidade atinge todas as camadas sociais, todo credo, cor, e sexo. Encontramos individuos mal nascidos que se realizam como profissionais e se tornam financeiramente bem sucedidos, mulheres feias que de uma hora pra outra tornam-se ideal de beleza, homens incultos se tornando ícones da cultura popular. A mobilidade é a própria causa do sofrimento.

Se é possível mudar, ser alguém que não o si mesmo, então a questão meritocrática é apenas um fator de determinação na corrida pelo status e o bem estar pessoal.

Antes fosse apenas assim, uma série de fatores exógenos permeam as condições dos indivíduos. As vezes somos donos de nosso próprio destino, outras apenas vítimas das circunstâncias. Admitir que somos os únicos responsáveis pela nossa vida é incompreender a malha de interdependência da vida.

Para mim o sucesso verdadeiro não se encontra nos símbolos de riqueza, na aparência física, no parceiro afetivo; é claro que o verdadeiro sucesso reflete também isso, como consequência. Mas o verdadeiro sucesso é fazer as pazes com si mesmo, compreender nossa natureza, nosso histórico de vida, ser capaz de ter atitudes pro ativas perante a vida e assim fazer o melhor com os recurso que nos cabem.

Sem comparações, livres de frustrações, verdadeiros mestres sobre a nossa vida. Aprendendo a gostar pouco a pouco, e mais a mais, de si mesmo, essa é a verdadeira riqueza.

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