segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Competindo comigo mesmo



Tem dias me dá uma grande ansiedade, aquela sensação de que tenho muito o que fazer, que preciso correr, tomar grandes atitudes.

Essa sensação chega, sem nem perguntar para que. Simplesmente acordo e ela está lá, como que do meu lado, companheira.

Ai já sei, hoje vai ter que ser assim, você veio para passar o dia comigo, tudo que posso dizer é bem vinda!

Uns dizem que é do signo, outros que é tudo agora assim, não sei...só sei que a ansiedade é a grande força motora do ano 2000. Todo mundo está ansioso (atenção, está, não é).

Estar ansioso é como que ter um estado alterado de consciência, a sensação pede para você fazer muito, mas ao mesmo tempo você não consegue se concentrar no mínimo que tem para fazer. Chega a ser meio cômico.

Essa ansiedade me pega na garganta, me julga, me condena, me impõe os modelos que não quero e não posso seguir. Não agora...nem assim.

Como Nietzche em Zaratustra, aprendi a conversar com a ansiedade. "Olha, legal, você veio me visitar hoje, mas tem coisas que preciso fazer, com calma, no meu ritmo, você pode me olhar ai sentada, ficar perto de mim, mas por favor não atrapalhe meu dia, nem meu humor, pois quero ter prazer e alegria no que estou fazendo neste momento!"

E ela fica ali, paradinha, de vez em quando apertando mais um poquinho...

Do lado de fora, o mundo pede pra você correr, as propagandas são rápidas, as pessoas passam na nossa vida como um raio, as coisas são feitas para vender e não para durar.

Mas simplesmente não quero viver assim, prefiro fazer pouco, mas fazer BEM; prefiro os poucos amigos, mas os verdadeiros; prefiro os clientes bons, do que um monte de clientes ruins; prefiro dar atenção ao que estou fazendo no presente, do que me dispersar em nuvens de elocubrações.

Quando estou assim, percebo que estou competindo comigo mesmo, que toda essa idéia de corrida é uma mentira que ninguém mesmo que EU criei para mim.
Uma luta frenética para quê?

De novo tenho que parar, largar as luvas de boxe, respirar e começar tudo novamente.

E assim vou seguindo meu caminho, as vezes mais ansioso, as vezes mais dono de mim.

(imagem: Andy Warhol e Jean Michel Basquiat)

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