segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Quando os Deuses decidem descer


Do alto do Olimpo os deuses observam os humanos.

Eles gostariam de ser um pouco como nós, capazes de amar, de lutar, ter filhos, estudar, viver e por fim morrer.

Do sofrimento dos homens invejam os deuses. Porque é sofrendo que podem exercer sua liberdade de sentir.

Os deuses imaginam que se tivessem apenas mais uma chance poderíam viver de maneira única. Então alguns deles recorrem a Zeus.

"Zeus, gostaria de poder descer ao mundo dos homens novamente.
Ao menos mais uma vez experimentar como é ser humano, como é sentir a vida sendo um deles.
E Zeus então, sempre concede o desejo àqueles que lhe pedem.

Descendo ao mundo, os deuses caem no sono do esquecimento.
Pelo seu nascimento, apagam-se completamente da memória seus dons divinos.

Passam a ser simples seres humanos, espalhados pelo planeta, num bairro, em cidades diferentes, escondidos em uma pequena casa, na família.
Perdidos no mundo, eles pensam ser comuns como os demais seres, e vivem a experiência cíclica, descobrem os primeiros amores, o apego, o medo, o que é sofrer.

Entretanto, alguns deles, dependendo de seu destino e suas escolhas pessoais começam lentamente a descobrir suas características divinas. Pouco a pouco, voltam a descobrir tudo aquilo que faziam no Olimpo.

O resurgimento desse poder é silencioso, surpreendente, criativo. Como os deuses eles passam a criar um mundo ao seu redor completamente diferente.

Alguns deles sabem seduzir, outros lutar, alguns cantam, outros tocam instrumentos, alguns são capazes de pintar, outros de dar preleções, amealhar centenas de pessoas ao seu redor. Os deuses na Terra continuam mundanos, mesmo sendo divinos.
Através de seus dons mais puros, despertam os demais seres humanos de seu sono. Os fazem sentir cada vez mais fundo.

Vivendo, continuam sujeitos ao prazer e ao sofrimento, aos amores temporários, as paixões e enganos, à vida e à morte.

Mas os deuses são pessoas diferentes, seus olhos tem um brilho, deles emana uma luz de qualidade única, é como se em meio ao mundo pudessem sempre sorrir, sempre derramar sua singularidade , são acima das leis dos homens, possuem uma moral diferente, um estado de ser completo.

Os deuses oferecem ao mundo a proposta de que é possível viver a vida com coragem intensa, eles estão dispostos a tudo para ter a experiência maior do viver.

São capazes de demonstrar grande especialidade. Entretando, todos os deuses que descem tem sempre um ponto fraco, um "calcanhar de áquiles".
É neste ponto que reside a beleza de sua humanidade, de sua fraqueza, o que o os torna demasiado humanos.

Alguns acabam vencidos pelo mundo, outros o vencem, mas todos os deuses deixam suas marcas sobre a Terra. Todos eles nunca passam desapercebidos, até mesmo as plantas e os animais se curvam à sua beleza.

Quando os deuses decidem descer devemos abrir todos os nossos sentidos.

(para Gabriela)
(foto: Monte Olimpo, Grécia)

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