sábado, 3 de setembro de 2005

Paisagens Mentais



2001, um pequeno livro chamou minha atenção na livraria. Naquele momento, com 28 anos, sentia-me fluindo em um espaço restrito, uma vida limitada ao trabalho, às exigências materiais.

Acontece que esse livro: Meditando a Vida, de Padma Samten, detonou em mim, um grande processo de auto transformação. Imediatamente passei a me identificar com os conceitos apresentados no livro sofre sofrimento, roda da vida, liberação.

Dentro de mim, um grande ciclone começou a circular varrendo todo o conteúdo interior de emoções perturbadoras, sentimentos de apego. Foi como se de repente alguém tivesse com um pequeno ramo perturbado a água límpida da poça e levantado toda a lama, toda a sujeira que estava no fundo, para que fosse olhada de frente.

Olhar para o nosso pior requer muita coragem, primeiro ao nos defrontarmos com nossa pior parte e depois remover os obstáculos de nosso perfeccionismo e nos colocarmos perante nossa verdadeira fragilidade.

Mas o que quero mais falar hoje é sobre as paisagens mentais, um dos capítulos do livro, acima mencionado.

Segundo Padma Santem: "O que experimentamos como uma realidade externa, na verdade surge inseparável de nossa estrutura cármica interna. Quando mudamos essa estrutura complexa - nossa paisagem sutil interna -, a experiência do Universo muda. Ao reconhecer isso, descobrimo-nos com liberdades de que nem suspeitávamos- liberdades aparentemente mágicas, imcompreensíveis, surpreendentes, poderosas."

A comprensão das paisagens mentais, nos permite mudar aos poucos a forma como imaginamos nossa vida, nosso eu, nosso mundo exterior, que é definitivamente apenas um reflexo de nós mesmos.

O trabalho de criar novas paisagens mentais assemelha-se à imaginação da criança; é preciso fluir com certa leveza e flexibilidade, imaginando para si cenários diferentes, pessoas e situaçães surpreendentes. Todo este conteúdo mental, é alimento para a nova paisagem, que aos poucos irá naturalmente se estruturando e se formando ao nosso redor. É preciso fé, coragem e muita, mais muito paciência.

É isso o que consiste a mágica do budismo, ou do auto conhecimento, a capacidade de nos reconhecermos como co criadores do mundo exterior, trabalharmos nossos aspectos e estruturas mais sutis, e encontrarmos a verdadeira liberdade que enfim, sempre foi nosso direito inato.

Bom final de semana!

Um comentário:

mayrahleal disse...

BELISSIMO,NATUREZA E DIVINDADE UNIDAS EM TRANSCENDENCIA,BJS MIL!