sexta-feira, 2 de setembro de 2005

O Facista da Padaria (ou o Dulce)

Parado no caixa da padaria, uma mulher pagava calmamente a conta de R$ 5 com o cartão eletrônico. Na minha frente um senhor de seus 60 anos com o pacote de pão e dois Reais na mão; eu com a comanda e a carteira, e logo atrás de mim um Senhor de seus 70 anos.

Senhor: - Não sei onde vamos parar, não podiam ter aqui mais uma caixa para que não houvesse fila?

Estou calmo, são 5:30 e meu próximo compromisso é as 7:30, ou seja, não tenho a mínima pressa, e quero mais que tudo demore e muito
Em um lapso me ocorre imaginar qual o motivo da pressa daquele pobre homem?

Eu: - Meu senhor não tenha tanta pressa logo vai chegar sua vez.

Senhor: - É que eu gostaria que houvesse mais empregos, eu sempre acho que tem que ter mais emprego.

Eu: - Desculpe, mas o senhor está meio....

Sou interrompido abruptamente.

Senhor: - Desatualizado, eu estou desatualizado.

Eu: - Totalmente, o senhor está completamente desatualizado.

Senhor: - Uma máquina substitui 6 pessoas, ao que 50 máquinas substituem 300 pessoas.

Olho para ele perplexo. Sinto nas entranhas que sou a própria vítima dos computadores, mais um párea da sociedade, um desocupado, para claro, estar ali naquela hora.

Senhor: - Mussolini já dizia: “o dia que as máquinas substituírem os homens estaremos perdidos”.

(Entro em pânico, mais uma vez)

Eu: - Pois ele dizia também “cuidado com a raça amarela!”.

(Imediatamente conquisto a simpatia do facista.)

Senhor: - É verdade, ele dizia: “Atenti ai Gialli!”

Finalmente chega a minha vez de pagar. Tiro o dinheiro lentamente da carteira, enquanto espero que o idoso bomba não aperte o detonador no bolso da calça xadrez.

Subitamente ocorre o milagre. O facista vira monje budista.

Senhor: - É meu jovem, mas Deus sabe o que faz...ele sempre sabe o que faz... (em absoluto gozo beatitude, contentamento)

Despeço-me do senhorzinho, e vou embora, pensando....”Será?”

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