quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Comemorar!

Amanhã é aniversário da minha mãe; mas para todos nós é um dia de grande comemoração.

Há pouco mais de um ano descobrimos que ela tinha um tumor maligno no seio, a notícia foi terível. Embora tenhamos ao máximo mantido a calma e o domínio, o dia a dia do tratamento, as operações, os médicos, acabam por nos abater os ânimos.

Por nem um minuto desistimos, por nem um minuto arrefecemos nossa escolha pela vida.

Eu já tinha por minha mãe um carinho e amor incondicional, agora aprendi a amá-la diferente. Não como mãe, não como alguém a mim relacionada por laços de família, mas como ser humano.

Porque enfrentar uma doença como o câncer não é nada fácil; e vencê-la é tarefa sobrehumana.

Mas mudei minhas crenças de que o câncer é doença brutal, incurável, isso já não é mais verdade para mim.

Perguntei ao meu médico. "Dr Renato, mas quando descobrirão uma cura para o câncer, uma cura definitiva?" Ao que ele me respondeu ser o câncer um processo intrínsico celular, uma doença da própria vida humana, degenerativa. Complicado.

Mas queremos viver, viver é nossa melhor escolha, porque não sabemos o que realmente será de nós após este destino. Nos apegamos ao que temos, seja essa vida dor e sofrimento, seja alegria e contentamento.

Mas a doença nos traz um bem maior, se soubermos vencê-la, ela é capaz de unir a família, ela nos define claramente quem somos em nossa fragilidade e nos torna capaz de compreender o verdadeiro valor da vida.

Não vejo mais o câncer como um inimigo, é claro que dele não quero mais ouvir falar.

Mas vencemos, é verdade, vencemos nosso medo, nossa angústia e agora escolhemos todos novamente começar a viver.

Essa é a nossa melhor parte de tudo isso: Escolher e viver a vida!

Um comentário:

cris cartacho disse...

Que bom estarmos vivos, termos forças para lutar, vencer e tentarmos aceitar quando a vitória vem numa suposta derrota. Sei como é difícil a família superar quando um dos membros sofre desse mal, nem todas conseguem recuperar as bases abaladas, mesmo depois da cura. A minha nunca mais foi a mesma. Mesmo assim, não perdi a esperança. Quem sabe um dia...
Meu irmão, você e sua mãe são vitorisos, não interessam o que as pessoas digam ou questionem... vcs venceram e têm minha admiração e respeito.
bjs
cris