sábado, 9 de julho de 2005

Olhar com Calma


Leio o jornal pela manhã, hábito que adquiri aos 16 anos e desde então nunca abandonei.

Parece-me que estou vivendo em um grande filme de ficção, com um roteiro extremamente bem escrito, e muitos clichês.
Os atentados em Londres se parecem um pouco com o último livro que li: "Terroristas do Milênio" de J.C. Ballard.
Nelson Rodrigues estava certo quando dizia que "a vida imita a arte".

Tomo calmamente meu café da manhã, nesta manhã fria, em São Paulo.
Vejo a foto de uma mala com 400 mil Reais apreendida no aeroporto de Congonhas, com o assessor do irmão do Presidente do PT.

Se Deus existe (desculpe-me) ele é um bom roteirista, escreve bem, desenvolve os personagens como ninguém, e além de tudo tem um senso de humor incrível.

Olho por cima de tudo isso, faço parte? ou sou alguém à parte do mundo?

Minha sensação é de estranheza. Um total estrangeiro no meu próprio país, no meu mundo.
Acredito que muitos também se sintam assim. Afinal os jornais não dão e talvez nunca publicaram as estória de honestidade ou de bom caratismo. Não! Isso não passa de obrigação.

Há 4 anos trabalho honestamente, tentando criar um negócio. Então leio que o filho do presidente Lula recebeu 5 milhões em investimentos de companhias de comunicação em sua empresa de games. De acordo, certamente nada tem a ver o fato de ele ser filho do presidente. Continuo a tomar meu café...

São tantas estórias que decido ser um pouco louco, e viver a vida da minha perspectiva, que está ao meu alcance hoje, neste momento. Que outra alternativa me resta?

Vou tomar meu café em paz, ler mais um bom livro, visitar um amigo, ficar perto da lareira. Viver a minha vida, sempre!
Olhar para tudo com calma, com a calma de quem já viu isso, de quem não espera nada diferente do que está acontecendo.

Aceitação de quem sabe, no fundo, que um dia tudo vai melhorar.

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